Articles for Janeiro 2007

Os Professores

“Já de si, a vida dos professores não é fácil. Para já, os outros grupos sociais têm-lhes um desprezo latente. Este deve-se ao facto de nunca terem abandonado o sistema escolar para se afirmarem na vida fora do mesmo. Após o tempo da escola, transferem-se para uma universidade, de onde regressam à escola para se tornarem funcionários públicos. Semelhante percurso pode ser interpretado como sinal de medo perante a vida, e de incapacidade.  (…) Acresce que os professores têm mesmo uma determinada doença profissional: lidam, dia após dia, com adolescentes e crianças; assim, é inevitável que facilmente se tornem infantis. (…) Os professores são, por isso, facilmente capazes de se exaltar com coisas secundárias e de fazer de uma mosca um elefante.

Mas este desprezo é injusto face a uma tarefa que nem um gestor experiente, nem um empresário com nervos de aço haveria de aguentar durante uma manhã sem pensar em fugir: nomeadamente a de levar uma horda de selvagens sem interesse na aprendizagem, mal-educados e habituados ao entretenimento televisivo a interessarem-se pela sublimidade do idealismo alemão, enquanto esses não pensam noutra coisa senão organizarem ataques à dignidade do professor. Ninguém fora do recinto escolar faz uma pequena ideia dete combate diário contra a insolência pura e simples, a maldade sádica e a crueza mental. E o que é pior é que o professor ainda por cima tem de suportar que lhe sejam apontadas responsabilidades pela rudeza e falta de educação dos seus alunos: ele próprio tem a culpa; ele é que não tem mão na turma, os alunos não curtem as suas aulas, pelo contrário, sentem-se maçados. (…)  O seu comportamento é unicamente imputado às aulas, ao passo que na realidade padecem de falta de capacidade de concentração e de défices educacionais de fabrico caseiro.”

Dietrich Schwanitz, “Cultura – Tudo o que é preciso saber

 

Vem isto a propósito da descrição que me foi feita por um colega de trabalho do comportamento de uma das suas turmas; e após 90 minutos de tortura a que sou submetido, semanalmente, quando tenho de fazer na escola aquilo que os paizinhos deveriam ter feito em casa.

Coerência

Não gosto dos Gatos Fedorentos. Depois das “Fawlty Towers” de John Cleese, depois do fantástico “Coupling“, depois de “Black Adder“, ver os Gatos deixa-me sempre com uma sensação estranha de… insatisfação.  Mas de vez em quando os moçoilos lá fazem um sketch em que lhes reconheço algum mérito. Desta, retrataram na perfeição a incoerência do protagonista principal das homilias de domingo, Marcelo Rebelo de Sousa. O retrato deve ser visto aqui.