Articles for Abril 2007

Auschwitz e Estaline nunca existiram

É essa a conclusão a que chego, ao dar uma volta pela blogosfera. Com toda a tranquilidade são afirmadas barbaridades extremistas, tanto à esquerda quanto à direita.  Há comunistas a louvar Fidel com a mesma tranquilidade com que nazis louvam Hitler. Por todo o lado está instalada uma espécie de estupidez selectiva, em que só lemos (e dizemos) aquilo que nos interessa e omitimos deliberadamente aquilo que não nos convém. Auschwitz é uma invenção ocidental; e o Gulag soviético foi apenas um mal-entendido. A Coreia do Norte é um dos mais prósperos e acolhedores estados do mundo, na justa medida em que o Chile de Pinochet também o era. 

Extremismos de esquerda e extremismos de direita: são todos iguais.

Nos próximos dias voltarei ao tema. 

Uma nova economia?

“Sabemos que o fosso das desigualdades se alrgou no decurso das duas décadas ultraliberais (1979-2001), mas como poderíamos imaginar chegar a tal ponto? Sabe-se que as três pessoas mais ricas do mundo possuem uma fortuna superior à soma dos produtos internos brutos dos 48 países mais pobres, ou seja, um quarto do total de Estados do planeta… Em mais de setenta países, o rendimento por habitante é inferior ao que era há vinte anos. À escala planetária, quase três mil milhões de pessoas – metade da humanidade – vivem com menos de dois euros por dia… A abundância de bens atinge níveis sem precedentes, mas onúmero dos que não têm tecto, nem trabalho nem de comer aumenta sem cessar. Cerca de um terço dos quatro mil milhões e meio de habitantes dos países em vias de desenvolvimento não têm acesso a água potável. Um quinto das crianças não acede à quantidade suficiente de calorias ou de proteínas. E
cerca de dois mil milhões de indivíduos – um terço da humanidade – sofrem de anemia.
Tal situação é forçosamente fatal? Não, absolutamente.
Segundo as Nações Unidas, para dar a toda a população do
globo o acesso às necessidades elementares (alimentação, água potável, educação, saúde) bastaria retirar, nas 225 maiores fortunas mundiais, menos de 4% da riqueza acumulada. Conseguir a satisfação universal das necessidades sanitárias e nutricionais custaria apenas treze mil milhões de euros, sensivelmente o mesmo que os habitantes dos Estados Unidos e da União Europeia gastam, por ano, no consumo de… perfumes.”

Ignacio Ramonet, Guerras do Século XXI

Estranha noção de democracia

A história já tem uns dias e ameaça transformar-se numa novela choramingueira.

Em todas as comemorações do 25 de Abril, sempre a JCP teve oportunidade de indicar quem deveria discursar em nome das juventudes partidárias.

A JS começou por acusar a JCP de ter vetado o nome de Ricardo Araújo Pereira. Rapidamente o PCP se indignou, especificando que, afinal, não era bem assim. Pois não. A JS resolveu que não fazia sentido que apenas a JCP pudesse indicar o nome dos oradores – e propôs um. Nos anos anteriores, sempre houve consenso, pois as restantes estruturas sempre aprovaram os nomes indigitados pela JCP. Mas este ano a história não se repetiu, pelo que a JCP vetou o nome proposto.

Ficamos a saber duas coisas: 1) que a JCP e o PCP mentem descaradamente, quando procuram mascarar o seu veto efectivo (e há outro nome?) com a possibilidade de veto por parte das restantes Jotas partidárias; e que 2) a noção de democracia desta gente é, de facto, muito estranha.

Curiosa forma de comemorar a conquista da liberdade: coarctando-a a outros.

De estimação

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult510u287.shtml

Só o aroma:

O homem é originalmente bom; é a sociedade que o corrompe. Trata-se sem dúvida de uma das maiores bobagens já proferidas na história da humanidade. O problema não é tanto que o bom Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) tenha concebido mais essa idéia maluca, mas sim que pessoas importantes nos meios intelectuais tenham acreditado nela ao longo de mais de dois séculos. Pior, ainda há quem ache que o cidadão genebrino está certo.

(…) 

Seja como for, podemos desde já descartar a idéia rousseauniana de que é a sociedade quem corrompe o homem. As evidências disponíveis apontam exatamente o contrário: é a civilização que está conseguindo tornar o homem um bicho menos ruim.