Articles for Maio 2007

Mais delírios

George Bush, o tal com mais dois ponto de QI do que o necessário para ser compulsivamente integrado numa classe de ensino especial, daquelas bem exclusivas e castradoras em que o USA são férteis, escolhe os jornalistas que têm acesso à Casa Branca para lhe colocar questões — não fosse alguém fazer-lhe uma pergunta mesmo a sério, daquelas que ele não saberia responder.

Leia-se aqui, aqui e aqui .

Uma bela imagem do país da “democracia”.

“É a democracia, estúpido!”

Antes e após o almoço

O MST (Movimento dos Sem-Terra) procura que a comunidade se encarregue da escola e defina o rumo da educação. O movimento converteu-se num “sujeito educativo” e, portanto, todos os seus espaços, acções e reflexões têm uma intencionalidade pedagógica. Isto implica desbordar o papel tradicional da escola e do docente: deixa de haver um espaço especializado na educação e uma pessoa encarregada da mesma; todos os espaços, todas as acções e todas as pessoas são espaço­‑tempo e sujeitos pedagógicos. «Transformar-se transformando» é o princípio pedagógico, e o movimento é o sujeito educativo. Já não se regista divisão e separação entre escola e sociedade. A pedagogia deixa de ser uma técnica dominada por especialistas para se converter num “ambiente”, um processo de auto­‑educação permanente.

Uma pedagogia que teria entusiasmado Paulo Freire. Mais ainda, não atribuem qualificações: «Aos que não sabem não se lhes põe zero, em vez disso o grupo não avança até que todos vão a par, a ninguém se reprova». No final do curso, os promotores indígenas – eleitos pelas suas comunidades – organizam actividades que são presenciadas pelos pais de família, que «valorizam a aprendizagem dos seus filhos, sem lhes outorgar qualquer qualificação».

Creio que as práticas educativas destes e doutros movimentos recolhem a intencionalidade libertadora de Paulo Freire: a educação tende a ser auto­‑educação; o espaço educativo não é só a aula, mas toda a comunidade; os que ensinam não são só os professores, mas todos os membros da comunidade; as próprias crianças mostram a sua capacidade de aprender­‑ensinar; todo o movimento é um espaço auto­‑educativo.

Eis o eduquês em todo o seu esplendor, num artigo delirante que foi, seguramente,  escrito após um almoço muito bem regado com tintol.

A única coisa que lamento é que alguma Esquerda tenha embarcado nestes cantos de sereia e que a cegueira mental a impeça de ver o quão ridícula é a sua posição.

“É a democracia, estúpido!”

Delírios

Hugo Chávez prossegue a sua campanha de estalinização do Estado. Mas, por cá, os mais ortodoxos apoiantes da nomenklatura bramem que não, que a democracia é mesmo isso: podem todos ter direito à expressão, desde que devidamente controlados pelo Estado. E avançam com delirantes teorias da conspiração, demonstrando (ou tentando demonstrar) que a razão está do lado de Chávez, ou seja, “do povo” — mas só de partes do povo, que outra parte anda nas ruas a fugir das intervenções policiais.

“É a democracia, estúpido! “

O que é o eduquês?

O eduquês não é uma corrente. Não é uma teoria. Não é uma escola. Não é um princípio. Mas existe.

Existe sob a forma de facilitismo que se instalou nas escolas, não por culpa directa dos professores, mas por sucessivas imposições ministeriais.

Um bom exemplo encontra-se nos exames nacionais deste ano: os erros ortográficos não contam para avaliação no primeiro grupo. Diz o director do GAVE que as competências de leitura e escrita podem, assim, ser avaliadas separadamente, pelo que se trata de um critério técnico muito para lá da mera opinião do senso comum.

Outro exemplo é o uso de máquinas de calcular para evitar essa maçada que é a tabuada. Desde os primeiros anos de escolaridade que as crianças são induzidas à lei do menor esforço, sem que para tal existam autênticos hábitos de trabalho.

Mais um exemplo é o da constante substituição de disciplinas sérias por disciplinas sobre banalidades e fantochadas, como é o caso do Estudo Acompanhado, da Área de Projecto e da Formação Cívica.

Mas se Nuno Crato, Desidério Murcho ou qualquer outro indivíduo diz que isto está mal, lá aparecem os eduqueses da praça, a chamar fascistas e conservadores a tudo o que manifeste actividade neuronal superior a duas sinapses por segundo, provavelmente tentanto não mais do que assegurar o tacho: o tacho das escolas de formação de professores, das ESE’s, da literatura de cordel que se publica sob a égide das pseudo “ciências” da educação (obviamente, com a devida ressalva de quem trabalha seriamente; e, felizmente, também existem bons exemplos na internet, nomeadamente em blogues) e de todo o tipo de experimentalismo acéfalo em que o nosso sistema de ensino está afogado.

O pior é que essa gente não se dá à discussão: mantêm-se na sua posição ortodoxa e evitam o debate e a troca de argumentos. Quando lhes é apontado o erro, não respondem ou refugiam-se em citações vagas semelhantes às que se encontram nos horóscopos. Deixam os interlocutores sem resposta, por incapacidade intelectual.

Não farei a apologia das soluções propostas por Nuno Crato: mas não vi, até hoje, um único comentário publicado na internet em que ficasse demonstrado que aquele célebre livrinho “O eduquês em discurso directo” não esteja doente de razão. Pelo contrário, o que se vê é um conjunto de comentários bovinos, repetindo banalidades como “ele não tem autoridade para falar de pedagogia porque não percebe nada de ciências da educação”, ou “ele é um saudosista de Salazar” ou “o eduquês não existe; trata-se de um livrinho delirante”.

Enquanto debate de ideias, não há dúvida que os partidários do eduquês têm uma noção muito incipiente da democracia. Isolados na sua ortodoxia, tudo o que saia da [sua] norma é lixo. Eis uma boa forma de se auto-anularem. Continuem: é esse o caminho.

Eduquês em estado sólido

Substitua-se Física, Química, Matemática, Inglês, Filosofia e todas as outras coisas “chatas” e “sem interesse prático” por isto:

http://www.psicologia.com.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0096

Afinal, desde que não seja “deseducativo” e tenha objectivos pedagógicos, tudo serve.

Trata-se, afinal, de uma psicopedagoga. Isso explica muitas coisas.