Articles for Janeiro 2010

O casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O artigo constitui uma primeira reflexão sobre dados de uma pesquisa realizada emBarcelona. O debate público sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo revelaas tensões sociais em torno do género, da sexualidade, da conjugalidade, da procriaçãoe da parentalidade. As representações simbólicas e os discursos ideológicos sobreestes campos vêem revelado o seu carácter construído no momento em que umasimples variável – o sexo dos cônjuges – se apresenta como modificável. Neste processotorna-se clara a estrutura profunda da homofobia como motivação reactiva;o carácter politizado dos discursos científicos convocados para o debate; e as diferençasnas culturas de política identitária em diferentes Estados-nação.

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Luís Melo Campos, A música e os músicos como problema sociológico

Debatem‑se alguns problemas que se colocam ao estudo do universo musical enquanto objecto de análise sociológica: primeiro, discutem-se possíveis delimitações do objecto; depois, equaciona-se o problema da música enquanto objecto e veículo de sentido; finalmente, alinha-se um questionamento dirigido aos universos socioculturais dos músicos.
(…)

O desenvolvimento de uma linha sociológica de questionamento em torno da música coloca alguns problemas. Um primeiro consiste em saber de que se fala quando se fala de música. É verdade que qualquer comum dicionário fornecerá uma definição aceitável, mas a questão é menos simples do que parece, por exemplo: música é uma arte que se expressa mediante a ordenação dos sons no tempo. Nesta definição, sublinha‑se a existência de som, seja ele qual for, e a sua ordenação no tempo, o que faz supor que existe algo ou alguém que ordene e a ideia de ritmo (ordem no tempo). O requisito do ritmo é, aliás, uma ideia cara a muitos autores. Por exemplo, António Victorino d’Almeida é categórico: “Porque sem ritmo não há
música, nenhuma espécie de música!” (1993: 23 ). Entretanto, fica por saber o que é o som (alguns  compêndios de acústica distinguem som de ruído, atendendo à regularidade ou não do fenómeno vibratório que está na origem de um e de outro), assim como fica por saber, porventura com maior margem de indeterminação, o que é a arte.

Informação, Conhecimento e Sociedade em Rede: Que Potencialidades?

O autor centra sua reflexão no papel do conhecimento na sociedade em rede e apresenta os fóruns como um exemplo concreto. A sociedade em rede, ao mesmo tempo em que é uma sociedade de múltiplas oportunidades de aprendizagem é também uma sociedade de novas exigências para a escola, o currículo, o professor e o aluno. O professor passa a ser menos «lecionador» e mais gestor da aprendizagem intertranscultural. Nesse contexto, a emergência dos fóruns, especialmente do Fórum Social Mundial, introduziu uma nova dinâmica no processo de emancipação e de empoderamento (empowerment) na construção de um outro mundo possível desde já.

O autor centra sua reflexão no papel do conhecimento na sociedade emrede e apresenta os fóruns como um exemplo concreto. A sociedade em rede,ao mesmo tempo em que é uma sociedade de múltiplas oportunidades de aprendizagem é também uma sociedade de novas exigências para a escola,o currículo, o professor e o aluno. O professor passa a ser menos «lecionador»e mais gestor da aprendizagem intertranscultural. Nesse contexto, a emergênciados fóruns, especialmente do Fórum Social Mundial, introduziuuma nova dinâmica no processo de emancipação e de empoderamento(empowerment) na construção de um outro mundo possível desde já.

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Educação à Distância: uma solução ou um problema?

A questão que serve de título ao presente artigo visa muito mais sugerir a necessidade de se debater o tema anunciado, do que delimitar de forma inequívoca uma posição a ser aqui defendida. Em outras palavras, gostaria de deixar claro, desde já, que não pretendo oferecer uma resposta precisa – seja favorável, seja desfavorável – às alternativas propostas no enunciado da questão.
Acredito que a Educação a Distância (EAD) pode ser, ao mesmo tempo, uma solução e um problema; nesse sentido, o que me interessa é discutir em que circunstâncias ela está-se construindo hoje no Brasil.
Para basear minha argumentação recorrerei, sobretudo, a dois níveis de informação que pretendo complementares: elementos teóricos da chamada análise sociotécnica da inovação (Item 2) e minha experiência docente no Laboratório de Educação a Distância da Universidade Federal de Santa Catarina – LED/UFSC (Item 3). Inicialmente, porém, apresentarei os motivos que ao meu ver explicam a atual expansão da EAD no país, processo legitimado inclusive por uma legislação que pela primeira vez na história reconhece formalmente esse modelo educativo (Item 1). Só no último item (Item 4), ponderarei a respeito das restrições que lhe são feitas.
Tamara Benakouche