Articles for Agosto 2014

Nós partilhamos um só corpo: identidade e role-playing numa comunidade virtual portuguesa

Nós partilhamos um só corpo: identidade e role-playing numa comunidade virtual portuguesa

Anabela Gradim

http://www.bocc.ubi.pt/pag/gradim-anabela-comunidade-virtual.pdf

Howard Rheingold popularizou a expressão “comunidade virtual” (conferir livro da Gradiva de 1993, “A Comunidade Virtual”), definido-a como agregados sociais surgidos na rede, quando os intervenientes num debate o levam por diante em número e sentimento suficientes para formarem teias de relações pessoais no ciberespaço”.
Neste texto, Anabela Gradim aprofunda e problematiza o conceito de comunidade virtual: definição, formação de identidades e sua relevância.

Coloca duas questões essenciais:

1. O que tem esta massa heteróclita de personagens e associações em comum para merecer o nome de comunidade?
2. Que problemas específicos importam estas pelo facto de serem comunidades virtuais?

Uma comunidade é, hoje, entendida como um “processo comunicativo de negociação e produção de uma comunalidade de sentido, estrutura e cultura” que já não necessita de um espaço físico comum pois a tecnologia permitiu a sua mediatização; é real se assim for percebida pelos seus membros, ainda que nunca saia do plano virtual.

O artigo permite concluir que a formação e desenvolvimento das comunidades é endógeno, e não exógeno, dentro da qual se resolvem problemas e que os problemas específicos no seu interior, enquanto comunidade, estão relacionados com a identidade dos próprios sujeitos.

GOMEZ, Margarita Victoria. Educação em rede: uma visão emancipadora. São Paulo: Cortez, 2004, 216p.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782006000100015

Um dos méritos do trabalho é conceber a identidade no marco de um processo inacabado, no qual os sujeitos inconclusos aspiram a ser mais com base no encontro entre as pessoas. Dessa forma, a comunicação e o diálogo encarnam modalidades de concordância e conflito que devem ser enfrentados pelos sujeitos interagentes no interior da rede. No entanto, outro aspecto fundamental é o representado pelos círculos de cibercultura, nos quais o problema da identidade deve ser repensado e reintroduzido no âmbito das redes e em função da inconclusividade de homens e mulheres.

(…)

A pedagogia da virtualidade está apoiada na apropriação tecnológica em razão dos princípios da educação popular, que objetiva o encaminhamento para a conformação de uma sociedade aberta e democrática que, por sua vez, deve sustentar-se na ética e na vontade política dos sujeitos.

(…)

Um dos desafios da pedagogia da virtualidade é superar a cultura do silêncio, mediante uma criação de círculos na cibercultura. Nestes, homens e mulheres recuperam sua história, sua cultura, utilizando crítica e criativamente a Internet. Dessa maneira, ultrapassam as atitudes individualistas e solipsistas com base no método de colaboração, com o qual se busca liberar os espaços de participação dos cidadãos. Contudo, cabe pensar a educação a distância, entendida na perspectiva da pedagogia da virtualidade, como alternativa que não se homogeneíza no tempo e no espaço, e sim aquela em que as mediações dialógicas e o programa participativo permitam e potenciem de forma educativa o ser social.

(…)

Durante o processo de criação de cursos na web, deve ser levado em conta que estes estejam orientados pelos princípios de educação popular, do rizoma, do programa participante, de sujeitos múltiplos e de mediações pedagógicas. Segundo nossa perspectiva, envolve uma prática concreta dos participantes, um tratamento do tema, da aprendizagem e da forma. Igualmente, implica uma situação sócio-histórica dos integrantes do projeto, uma organização de conformidade com as metodologias por eles construídas.

(…)

Assim, no ato de educar criticamente na esfera virtual, a avaliação é o processo que permite desenvolver práticas que devem contribuir e melhorar as condições de vida, responder criativamente às necessidades sociais da educação e à potenciação pedagógica da nova tecnologia, tornando-a uma ferramenta a serviço da emancipação de homens e mulheres.

O desafio de educar na era digital: educações

http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?pid=S0871-91872011000100005&script=sci_arttext

Resumo

O artigo apresenta uma visão panorâmica do desenvolvimento científico e tecnológico da comunicação e das diversas linguagens (co-)existentes que se articulam intensamente a partir da enorme presença das tecnologias digitais. Analisa-se a implantação das redes digitais e dos processos colaborativos de produção de conhecimento e as políticas públicas brasileiras para o campo da cultura digital, destacando-se o uso das redes de compartilhamento, com ênfase no software livre e na produção coletiva. A partir desses pressupostos, discute-se a importância da relação da educação com a cultura. Desenvolve-se a idéia de uso intenso das redes colaborativas nos processos educacionais, com a montagem de comunidades horizontais de produção de culturas e conhecimentos. Ao final, reflete-se mais detalhadamente sobre a proposta de pensar a educação numa perspectiva plural, ou seja, em educações.

Palavras-chave: Educação; Cultura digital; Comunicação digital; Redes