Articles for Outubro 2014

Noite do Professor

https://www.portaldasescolas.pt/portal/server.pt/community/not%C3%ADcias/241/Ver%20Not%C3%ADcia?dDocName=022010836&dID=35483

Esta 5.ª edição de uma noite inteiramente dedicada a educadores e professores é um momento privilegiado de convívio e de contacto direto com a oferta educativa do Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva. A entrada é gratuita.

Durante o evento, os docentes vão poder conhecer toda a programação para o próximo ano escolar e os projetos de educação para as ciências, participar em algumas das atividades previstas para os seus alunos e visitar as exposições interativas.

Vai ainda ser possível conhecer em primeira mão a nova exposição do Pavilhão do Conhecimento dedicada ao bem-estar mental, que pretende dissipar preconceitos em torno deste tema e despertar a atenção para a importância da saúde mental na nossa qualidade de vida.

E porque nessa altura será Halloween, esperam-se algumas surpresas.

Para inscrições e mais informações, consultar a página do Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva.

Posição política pode ser determinada pelo cérebro, indicam pesquisas

Há quem prefira perder o amigo do que perder a alfinetada em mês de eleição. Mas, antes de deletar aquele tio extremista no Facebook, fique sabendo que a posição política dele pode estar relacionada ao tamanho de uma região específica do cérebro.

Em 2011, cientistas britânicos da University College London publicaram um estudo afirmando que as visões políticas estão relacionadas ao tamanho de partes específicas do cérebro. Basicamente, pessoas mais conservadoras têm uma amígdala cerebral maior e pessoas mais liberais têm massa cinzenta em maior quantidade no córtex cingulado anterior. A amígdala é responsável pela identificação do perigo, enquanto o córtex cingulado anterior reconhece as situações onde o autocontrole é necessário.

A Universidade Estadual do Arizona também fez uma pesquisa nessa área, perguntando a democratas e republicanos se o desemprego aumentou nos Estados Unidos entre 2008 e 2010 (ano em que a pesquisa foi realizada). A resposta dos dois grupos foi mais ou menos a mesma, dizendo que o taxa de desemprego não variou muito. Mas, quando a pergunta era formulada de forma diferente, questionando se o desemprego aumentou depois que Barack Obama chegou ao poder, as respostas foram completamente diferentes. Obviamente, a maioria dos democratas disse que o desemprego não aumentou, enquanto 75% dos republicanos falaram que o desemprego piorou. Soa familiar?

Agora, o laboratório de percepção e avaliação social da Universidade de Nova York está tentando comprovar que nossos cérebros são programados para o partidarismo e entender como ficamos cegos com a mentalidade “nós x eles”. O que se sabe é que, uma vez que essa mentalidade entra em cena, o cérebro automaticamente filtra fatos, inclusive os menos controversos e nós reconhecemos menos a humanidade do outro.

Como experimento, os cientistas dizem a um voluntário que ele faz parte do grupo azul ou vermelho, colocam-no dentro de um aparelho de ressonância magnética e pedem para ele identificar de que grupo são as imagens que são mostradas. São imagens de rostos humanos, alguns reais, outros máscaras e misturas 90% humano e 10% plástico ou 50/50. Membros do grupo vermelho tendem a identificar rostos humanos com seu grupo e vice-versa. Eles também se lembram melhor dos rostos que identificaram como parte de seu grupo. A conclusão é que tendemos a desumanizar o grupo que identificamos como “outros”. A formação de grupos diz respeito à evolução humana, pois era a melhor forma de sobreviver na pré-história. Mas, em uma democracia, essa mentalidade pode ser prejudicial, ainda mais quando ultrapassa o limite da razão. Grandes massacres como o holocausto e o genocídio de Ruanda utilizaram a desumanização como arma de destruição em massa.

“É problemático quando as pessoas aceitam tacitamente informações que confirmam suas crenças e contra-argumentam agressivamente informações que discordam. No extremo, a polarização pode dar espaço ao caos”, disse a GALILEU Natalie Stroud, professora da Universidade do Texas e diretora de um grupo de pesquisa que tenta fazer da Internet um lugar mais civilizado para o debate. Stroud desenvolveu uma alternativa para a baixaria nos comentários do Facebook: trocar o botão “curtir” por “respeitar”. “Nos nossos experimentos, vimos que as pessoas tinham tendência a clicar no botão ‘respeitar’ para visões políticas de que elas discordavam, para respeitá-las, não curti-las”, afirmou.

http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Neurociencia/noticia/2014/10/posicao-politica-pode-ser-determinada-pelo-cerebro-indicam-pesquisas.html

(Via National Journal)

Exames aos genes e ao cérebro serão frequentes no recrutamento em Wall Street

É a visão futurística de Hauke Heekeren, neurocientista da decisão: o recrutamento dos melhores gestores de fortunas incluirá análises genéticas e cerebrais.

 

http://observador.pt/2014/10/24/exames-aos-genes-e-ao-cerebro-serao-frequentes-recrutamento-em-wall-street/

 

Tudo aponta para que a escolha dos melhores investidores profissionais deixe de ser apenas feita com base em entrevistas e currículo. “É provável que testes de comportamento, exames ao cérebro e também análises à informação genética ajudem a prever características [dos investidores], como a aversão ao risco, com alguma certeza”, explica Hauke Heekeren, neurocientista da decisão da Universidade Livre de Berlim.

Heekeren, que também lidera o grupo de estudo sobre a neurocognição da tomada de decisão no Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano, assegura que ainda é uma visão futurística, “mas que toda a investigação aponta para aí”. “Não é uma ideia estranha: se alguém for contratar um corretor de Wall Street que negoceia com milhares de milhões de dólares, é normal que tente analisar toda a informação possível para não recrutar uma pessoa que destruirá alguns milhões de dólares.”

A análise genética nunca poderá ser usada isoladamente. “Isto só poderá fornecer informação probabilística. Por exemplo, uma pessoa poderá ter uma probabilidade acrescida de 5% de ser avesso ao risco”, garante Hauke Heekeren. Todavia, a informação genética pode ser complementada com análise cerebral, através, por exemplo, de imagem por ressonância magnética. “A interação entre os genes e o meio envolvente é que define a pessoa e, logo, o investidor.”

Hauke Heekeren, em Lisboa, avisa que ainda há muito para estudar na relação da genética e do investimento. © Fábio Pinto

Heekeren é um dos pioneiros no estudo da preferência do risco e da genética. A sua equipa no Instituto Max Planck identificou uma variante genética que influencia as ações da dopamina, um neurotrasmissor importante nas decisões de investimento, entre outras. “Ainda temos muito para investigar. Seguem-se muitos outros estudos”, minimiza Heekeren, à margem da iMed, uma conferência organizada pela Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Os mais velhos não são mais avessos ao risco

Hauke Heekeren também estudou as decisões dos investidores mais velhos. “Estávamos à espera que os adultos mais velhos fossem mais avessos ao risco, mas não foi o que descobrimos”, conta o neurocientista. “O grupo dos mais velhos é mais heterogéneo, isto é, há muita disparidade no perfil de investidores.”

O estudo mostrou que é mais fácil encontrar investidores mais velhos muito avessos ao risco ou muito apreciadores do risco do que entre a população mais nova. Os investidores mais velhos “deveriam ser versões mais antigas dos mais novos, mas não são”.

Outro estudo liderado por Heekeren mostrou que as pessoas negligenciam a correlação dos ativos financeiros. A escolha de aplicações pouco correlacionadas permite aumentar a diversificação e minimizar o risco das carteiras. No entanto, por alguma razão, o cérebro não contabiliza as correlações. “O cérebro não capta o risco adicional de não correlacionar? É uma análise complexa para o cérebro? Ainda estamos muito longe das respostas”, conclui o investigador.