Nova plataforma europeia de educação de adultos – EPALE

A plataforma eletrónica de educação de adultos na Europa – conhecida como EPALE – é uma nova iniciativa financiada pela Comissão Europeia.
Esta plataforma gerida pela Agência Executiva para a Educação, Audiovisual e Cultura, é o exemplo mais recente do compromisso contínuo da União Europeia em promover na Europa um sistema de educação de adultos de elevada qualidade, encontrado-se disponível para professores e formadores, bem como a decisores políticos, investigadores e académicos.
A EPALE disponibiliza conteúdos, permitindo ainda a participação em foruns, bem como a partilha de boas práticas.
Os utilizadores têm ao seu dispor um calendário de eventos europeus e nacionais para estarem sempre ao corrente das oportunidades de desenvolvimento profissional e acesso ao contributo de peritos reconhecidos na área da educação de adultos com feeds e artigos de fundo.

Esta plataforma, disponível em http://ec.europa.eu/epale/PT/, é multilíngue e de adesão livre.

Depois da troika

Urge reerguer o edifício educacional, sarando feridas resultantes dos cortes cegos impostos

O nosso país, nos últimos três anos, sofreu fortes alterações, sobretudo tendo em conta a presença da Troika que obrigou a não viver acima das possibilidades e, por via disso, a cortar a torto e a direito, naquilo que chamaram de gorduras, mas em muitos casos para além do músculo. A Educação não foi exceção!

Uma das áreas estruturantes em qualquer sociedade desenvolvida não foi esquecida e sofreu forte alteração, destacando: redução substancial do financiamento da oferta vocacional e profissional, através dos cortes no Poph; aplicação “cega” da Portaria n.º 1049-A/2008 (estabelecem-se os critérios e a fórmula de cálculo da dotação máxima de referência dos auxiliares de ação educativa e dos assistentes de administração escolar), muito desatualizada, sem ter em conta as características das escolas/agrupamentos, nomeadamente aquelas que são escolas de referência para alunos com Necessidades Educativas Especiais (neste momento, há mais funcionários com Contrato de Emprego e Inserção – provenientes do Instituto de Emprego e Formação Profissional – que assistentes operacionais efetivos); aumento exponencial de alunos a solicitar escalão da Ação Social Escolar e casos de crianças que chegam com fome e pouco cuidados à escola – o projeto PERA (Programa Escolar de Reforço Alimentar), que funciona desde setembro de 2012, tentou acudir a estes casos assim como o orçamento privativo das escolas (os alunos provenientes da classe média foram os mais atingidos); dificuldades tremendas em fazer face a despesas recorrentes nas escolas por via do orçamento compensação em receita, uma vez que também este sofreu redução em função do contexto socio-económico e tudo aumentou (água, eletricidade, comunicações…); interrupção do programa de modernização escolar (houve forte intervenção nas estruturas físicas das escolas secundárias e construíram-se centros escolares de excelência; porém, as antigas escolas EB2,3 foram esquecidas, encontrando-se em piores condições do que algumas que foram intervencionadas), reativado há escassos dias; redução forte nos apoios ao currículo normal, por imposição de cortes financeiros: horas não letivas para diretores de turma, reforço educativo, crédito horário, Educação Especial, tendo como consequência aumento do trabalho para professores, e com menos horas para o realizar; agregações de escolas (mega agrupamentos) criando uma nova estrutura muito complexa, recheada de ineficiências difíceis de corrigir – se é certo que o início desta alteração na estrutura organizativa das escolas ocorreu em 2010, também é certo que o oportunismo político serviu para dar passo decisivo (em 2010, existiam cerca de 1.300 unidades organizacionais e, atualmente, 811); a reestruturação da DGEstE (Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares)/eliminação das direções regionais de educação e consequente centralização dos serviços com evidente perda de capacidade de resposta/celeridade/proximidade com a tutela, perturba a vida nas escolas; o incompreensível aumento do número de alunos por turma (numa fase em que assistimos a uma redução drástica da natalidade e do número de alunos por via da demografia/emigração); a redução do número de horas das AEC (atividades de enriquecimento curricular) e das áreas não disciplinares.

Estou convencido de que, em alguns exemplos que apresento, o Ministério da Educação foi forçado a ceder nas negociações que manteve com a troika e, por isso, a Educação já pagou o preço de uma governação desmedida dos sucessivos governos. Depois do abalo sentido, urge reerguer o edifício educacional, acarinhando algumas das alterações forçadas e sarando feridas resultantes dos cortes cegos impostos, corrigindo o que não esteve bem por iniciativa governamental.

Devemos aprender com os erros, mesmo quando não somos diretamente responsáveis.

*Professor, director de Agrupamento

“A formação é imprescindível na procura de emprego”

Com uma taxa de empregabilidade de cerca de 20 por cento resultante das formações ministradas pela Adere Minho, a directora geral Teresa Costa fala de alguma retoma da oferta de emprego, contudo, ainda longe do desejável.

http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=78531

 

“Nós recebemos muitas candidaturas para estímulos e estágios profissionais, as empresas estão à procura de pessoas no mercados de trabalho, mas também procuram este tipo de apoios que está a ficar um bocadinho estrangulado. Mas nota-se que os empresários estão interessados em contratar gente”, Teresa Costa falava ontem após uma sessão simbólica de entrega de certificados de formação profissional que contou com a presença do director do Centro de Emprego e Formação Profissional de Braga, António Pinheiro.

As acções de formação da Adere-Minho decorreram nos meses de Novembro e Dezembro do ano passado, entre Braga, Soutelo e Ponte de Lima, envolvendo 180 formandos nas áreas da saúde, serviço de apoio à criança e secretariado num total de mais de 600 horas de formação. Em parceria com cooperativa d e serviços a Relha, a Adere-Minho ministrou mais 450 horas de formação nas áreas de hotelaria, artesanato, serviços domésticos, gestão e administração, contabilidade e fiscalidade, higiene e segurança no trabalho.

Na ausência de projectos financiados, a Adere-Minho estabeleceu uma parceria com Mazagão, estando nesta altura a decorrer um curso EFA bordador de 740 horas que envolve 17 formandos (um homem e 16 mulheres), bem como as formações garantia jovem de técnicas de procura de emprego destinadas a desempregados licenciados.

O director do Centro de Emprego e Formação Profissional de Braga falou de um ligeiro decréscimo na taxa de desemprego no concelho de Braga.
António Pinheiro salientou a importância da formação que é imprescindível, quer para os que estão desempregados, quer para os que estão no activo. “Cada vez mais temos de ter mais valias no emprego, e para os desempregados estas formações permite-lhes ganhar mais competências para num futuro próximo terem a oportunidade de conseguir um emprego”.

OCDE considera que exames no 4º e 6º são prematuros

Exames de 4º ano têm potencial de exclusão social
Por: tvi24 / CF | 2014-05-24 15:52

 

Os exames de 4º e 6º ano em Portugal podem ter sido introduzidos demasiado cedo no percurso escolar dos alunos, tendo «potencial penalizante» para agravar o risco de reprovação e de exclusão social, alertou um analista português da OCDE.

No final de uma conferência subordinada ao tema «Compromissos na Educação», que decorreu na sexta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, o analista chefe da Direção da Educação e das Competências da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Paulo Santiago, em declarações à Lusa, sublinhou que os exames têm uma importante função de validação de conhecimentos no sistema de ensino, mas que só fazem sentido quando os alunos são confrontados com mudanças e escolhas, como na definição de uma área de interesse do 9.º para o 10.º ano, ou no final do ensino secundário, para prosseguir estudos superiores.

A OCDE entende que entre os mais jovens os testes devem ter uma função de diagnóstico, para permitir a orientação dos alunos e a superação de dificuldades, retirando o peso de um exame final, com consequências para o percurso escolar dos alunos.

Frisando que a nível europeu apenas existem exames de 4.º ano na Bélgica e na Turquia, Paulo Santiago sublinhou o potencial de exclusão social que estes exames podem ter.

«O que mostra a investigação a nível de educação é que o fator mais importante é a envolvente socioeconómica do aluno: se tem um quarto para estudar, se tem pais que o empurram para estudar, tudo isso vai aparecer na nota do aluno. Se o exame é penalizante, no sentido que conta para a potencial reprovação, a proporção dos que vão reprovar é bastante mais significativa, e o que isso quer dizer é que o exame pode eventualmente ter uma função de exclusão social», afirmou o analista da OCDE.

Paulo Santiago referiu que em Portugal há uma tendência para equiparar as notas dos exames aos resultados das aprendizagens e que em muitos países apenas se introduzem notas quantitativas no percurso escolar dos alunos a partir dos 13, 14 anos.

«[Até essas idades] o que é preciso é fazer um diagnóstico sobre a progressão do aluno e refletir sobre os conselhos que se podem dar para que possa melhorar a sua aprendizagem», disse.

Paulo Santiago deixou ainda alertas sobre as escolhas precoces de uma via profissionalizante, sublinhado também o «potencial de penalização» para a carreira e o futuro dos jovens que escolhem este caminho demasiado cedo.

Por uma questão de maturidade dos alunos, a OCDE entende que essa escolha nunca deve ser feita antes dos 14, 15 anos.

«O que analisamos em muitos outros países é que quando essa escolha é feita de uma maneira muito precoce, aos 10, 11, 12 anos, que pode ter implicações em termos da carreira futura e das oportunidades laborais. Os alunos ainda não estão suficientemente maduros. O que notamos na análise nos outros países é que há uma proporção maior de alunos nessas vias profissionalizantes que vêm de famílias mais desfavorecidas. Há o risco de ter um impacto negativo em termos de equidade, de dar oportunidades», disse.

Paulo Santiago disse ainda que considera «surpreendente que não haja mais políticas de ação para desenvolver as competências e aprendizagens dos alunos», mas não quis fazer comentários sobre as situações concretos do programa Novas Oportunidades e dos nos centros de qualificação, por não terem sido objeto de análise da OCDE.

«Portugal está a fazer um projeto com a OCDE sobre estratégias para desenvolver competências e o tema da aprendizagem dos adultos está incluído, mas ainda não há resultados», como reporta a Lusa.