Olivier Messiaen

Um dos maiores músicos do século XX, o francês Olivier Messiaen, completaria esta quarta-feira 100 anos. Este compositor, organista e ornitólogo foi também pedagogo, tendo sido professor de Boulez, Stockhausen, Xenakis, entre outros.
Olivier Messiaen nasceu em Avignon, França, a 10 de Dezembro de 1908, e faleceu a 27 de Abril de 1992. Era filho de um professor de Inglês, tradutor de Shakespeare para Francês e de uma poetisa.
Em 1931, foi nomeado organista da igreja da Trindade de Paris, função que desempenhou até à sua morte. Num episódio marcante da sua vida, em 1940 foi feito prisioneiro pelas tropas nazis que invadiram França. No cativeiro, compôs “Quarteto para o fim do tempo” para os quatro instrumentos aí disponíveis: piano, violino, violoncelo e clarinete.

A sua música respira extrema religiosidade, pois era essa a forma encontrada pelo compositor para abordar a sua fé cristã. Messiaen recorreu insistentemente a textos bíblicos para falar de Deus, do Apocalipse, da Ressureição, entre outras inquietações típicas do cristianismo.
A sua obra para órgão é a mais notável do século XX. Transmite-nos uma paz interior que é difícil de definir. Ouça-se, por exemplo, e a propósito da quadra que agora atravessamos, “O nascimento do Senhor”.
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Estudioso do ritmo, o compositor francês bebeu inspiração em fontes diversas, desde a antiga Grécia ao hinduísmo, passando até pelo gamelão da Indonésia.
Numa das suas obras mais extraordinárias, “Turangalila”, recorreu às Ondas Martenot, instrumento electrónico com um teclado de seis oitavas.

Messiaen considerava-se tanto compositor como ornitólogo. A sua paixão pelos pássaros era tal que povoou a sua música com os seus cânticos. O músico referiu um dia que era capaz de identificar 150 cânticos de aves diferentes. E levantava-se muitas vezes às quatro da manhã para escutar os pássaros no campo.

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Pedagogo com vasta erudição, foi um dos professores convidados para leccionar no célebre curso de Darmstadt para jovens compositores, que surgiu na Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial. Entre os seus alunos estiveram Stockhausen, Boulez ou Xenakis, que viriam a tornar-se nomes incontornáveis da história da música.
Músico fervorosamente cristão, Messiaen lamentava, apenas, o facto de, nas suas obras, ter de falar de fé para ateus.

Rui Branco

5 Comments

  1. Caro Sérgio Lagoa,Cheguei aqui através do blogue de Susana Serrano. Parabéns pelo arranque auspicioso de “Semibreves”.O post sobre Messiaen fez-me lembrar um aluno dele, professor na minha escola há 40 anos, o mundo é pequeno!Emprestei o vídeo “Oiseaux exotiques” para um post.Seja sempre bem-vindo nos “Anacruses”!

  2. Rui,Fez muito bem em “levar emprestado”. O que estranho, honestamente, é que existam tão poucos blogues de músicos sobre música. Porque será?Cumprimentos,Sérgio Lagoa

  3. Caro Sérgio,O meu nome é Rini, o Rui é outro sócio de “Anacruses”, blogue sobre “música e cultura geral”, iniciado há dois anos por dois músicos que cometeram depois a imprudência de me convidar a participar…Um deles (quase) já não escreve, o outro tenta tanto como pode manter o aspecto decente do blogue, mas este seu servidor muitas vezes não resiste a um post incendiário de intervenção, transformando o blogue numa manta de retalhos (com posts às vezes escritos num português mais do que esquisito).Como costumo dizer: nós, alguns holandeses, somos assim, cáusticos, acutilantes e corrosivos. Provavelmente vou ser expulso do país mais cedo ou mais tarde…

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