Será música?

Será música?

Os Stomp estarão em Portugal, no Coliseu do Porto, de 18 a 21 de Fevereiro. A performance dos Stomp, no entanto, levanta um curioso problema filosófico: o que é Arte?, especificamente “o que é a Música?”

Um amigo, músico de profissão mas não iniciado nestas coisas da Filosofia, dizia-me escandalizado que “os Stomp não fazem música; são apenas um grupo de artistas folclóricos que fazem uns barulhos de que o povo gosta”.

Antes de formular uma resposta, deixo a questão: o que é a música? Como se define essa arte? Podem os Stomp ser considerados um grupo musical?

2 Comments

  1. Música … Se começarmos por pesquisar sobre o que é a música deparamo-nos que, “A música (do grego μουσική τέχνη – musiké téchne, a arte das musas), é uma forma de arte que constitui-se basicamente em combinar sons e silêncio seguindo ou não uma pré-organização ao longo do tempo “. É uma definição muito teórica, à qual poderíamos acrescentar que, ao ouvirmos, esses sons, criam-nos as mais variadas sensações e estímulos. A música é tão poderosa que nos pode alterar o nosso estado de espírito, provocando, melancolia e/ou bem-estar…é qualquer coisa estranha, que mexe com o estado de espírito de qualquer um de nós. Não acredito que alguém diga: “a mim, a música não me diz nada”. Existem variadíssimos estilos de música, que foram surgindo ao longo de décadas, impulsionados pelas mais variadas descobertas, tendo sido talvez as mais importantes o aperfeiçoamento dos variados instrumentos musicais e a descoberta da electricidade que propulsionou a descoberta do computador. Não é correcto dizer que não se gosta ou não é importante um determinado tipo de música. Pode haver, isso sim, música com mais ou menos qualidade. Para avaliar ou criticar um determinado estilo musical é imprescindível, primeiro que tudo, ouvi-la mais que uma vez, independentemente da atenção que lhe estamos a dar no momento. Deixe essa avaliação a cargo do seu sistema auditivo, com ou sem formação académica a nível musical e depois sim!… podemos prenunciarmo-nos, mas só e simplesmente com, gosto ou não gosto, sem que o nosso cérebro justifique o porquê !?… , é que, “gostos não se discutem”. Certo é que, ninguém tem dúvidas em concordar que a música “Pimba”, também conhecida como música dos três acordes, (tónica, subdominante e dominante), é fundamental num baile nas festas anuais da nossa aldeia e que, o mesmo baile também não faria sentido com um grupo a tocar “fado”. Toda a música tem sua importância atendendo ao contexto ou finalidade. Todos temos determinadas músicas que ouvimos algumas vezes e até se gostava, mas sem razão que o justifique, a partir de um determinado momento, já não suportamos voltar a ouvi-la – música comercial?. Mas também temos outras que já ouvimos ao longo de muitos anos e ainda gostamos, talvez porque nos fazem recordar momentos agradáveis que passámos enquanto as ouvíamos, ou então foi composta tendo em atenção uma selecção e combinação adequada e cuidadosa, de intervalos musicais e timbres de instrumentos musicais, escolhidos aquando a sua composição para serem usados quando tocada. Atrever-me-ia a dizer que, nesta música existem combinações de notas (intervalos musicais) que o nosso cérebro (ego), detecta sem que tenhamos consciência da sua existência. Há sempre algo de novo, nestas canções cada vez que as ouvimos. A música é muito aplicada actualmente em várias terapias. Como curiosidade, posso referir que o nosso sentido mais ligado ao som, a audição, que nos permite captar as vibrações, é o último a “desligar” após anestesia para uma intervenção cirúrgica, existindo nalguns blocos operatórios, música de ambiente ao gosto do paciente, uma vez que está provado que ajuda a relaxar. Penso que estamos a viver, neste momento, um período onde imperam novas versões de temas com 20 ou mais anos, de grande qualidade, convertidas e remisturadas em faixas de fraca criatividade musical, salvo algumas excepções, mas claro, no meu ponto de vista…. Manel Grilohttp://www.semibreves.pt

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