Violação (da consciência)

Numa pesquisa pelas estatísticas com os links de direccionamento para esta página, descubro que este blog tem tido como visitantes ocasionais indivíduos que efectuam pesquisas nos motores de busca por “violação”, “mulheres violadas”, “violadas sem querer” (?!?), “sexo” e “sexo com mulheres”.

Suponho que tais visitantes devem sentir alguma frustração ao encontrar um blog sobre Mussorgsky, Eça e Rousseau, entre outros. Mas fica a dica: se alguém quiser fazer subir as audiências do seu blog, é só colocar uma série de expressões hardcore e esperar pela subida das estatísticas.

Violação, mas outra, é a da minha consciência: os energúmenos deputados que comandam os destinos deste monte de esterco país sentiram a batata quente nas mãos e, ao invés de assumir as responsabilidades para as quais foram eleitos e pelas quais são pagos, resolveram mandar o povinho assumir as despesas morais da resolução que se tomará, ou não, no próximo domingo.

Os referendos não deveriam ser aplicáveis apenas a assuntos vitais para a nação? Que a europa federalista seja referendada, parece-me bem, do ponto de vista de uma democracia participativa e não meramente representativa. A Europa Federal é um assunto nacional, tal como a regionalização; ao invés, a questão do aborto é uma questão filosófica, moral, individual e socal – mas não lhe reconheço as características exigíveis para ser referendada.

Cumprissem os políticos as suas obrigações e no Domingo nenhum de nós precisaria de gastar gasolina para fazer o trabalho sujo que outros não quiseram assumir.

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