Tabagismo em Portugal

Os efeitos do tabaco e as consequências que ele produz a nível da saúde já estão bem estudados e documentados. Fumar é o factor de risco modificável com o maior número de mortes atribuídas. Portugal encontra-se num estádio da epidemia menos adiantado em relação à maioria dos países desenvolvidos. Contudo, existem diferenças de consumo de cigarros entre as zonas rurais urbanas do país, sendo superior nas zonas urbanas, e o padrão de evolução é distinto, verificando-se uma ligeira diminuição nos homens e um aumento nas mulheres, o que faz esperar, além das complicações comuns a ambos os sexos, adicionais consequências na função reprodutiva e no resultado da gravidez. A prevalência de consumo de tabaco é elevada nas grávidas, sendo necessárias fortes medidas de combate ao consumo de tabaco nesta população. O consumo de tabaco inicia-se frequentemente na adolescência, sendo as iniciativas destinadas à prevenção do consumo de tabaco especialmente importantes nestas idades. A elevada prevalência de fumadores no grupo dos profissionais de saúde, nomeadamente nos médicos e enfermeiros, e entre os professores, merece particular atenção, uma vez que poderão funcionar como exemplos na sociedade. A lei portuguesa sobre a Prevenção do Tabagismo é restritiva, sendo necessária a fiscalização do seu efectivo cumprimento. É importante a monitorização periódica da prevalência de fumadores em Portugal, incluindo amostras representativas da população continental e regiões autónomas, que permitam a análise de dados estratificados, demográfica e socioeconomicamente, bem como trabalhos de investigação, com atenção especial a grupos populacionais mais vulneráveis, como são adolescentes, grávidas e profissionais de saúde.

Relação entre dimensões do autoconceito e consumo de álcool em alunos

Este estudo analisa a relação entre múltiplas dimensões do autoconceito e o consumo de álcool no seio da adolescência escolarizada. Uma amostra de 642 alunos (263 rapazes e 379 raparigas) do ensino secundário, com idades compreendidas entre os 15 e os 23 anos, respondeu, de forma anónima e confidencial, a um questionário de autoconceito (SDQ II) acoplado a um outro relativo a consumos. Os resultados evidenciam uma ausência de relações significativas entre o autoconceito geral ou auto-estima e a ingestão de álcool, bem como uma relação pouca expressiva, verificada apenas ao nível do sexo feminino, entre o consumo de bebidas alcoólicas e o autoconceito total, corroborando a tese que defende a fraca sensibilidade e a consequente escassa utilidade das dimensões globais do autoconceito. Em contrapartida, observam-se relações estatisticamente significativas entre algumas facetas específicas do autoconceito e o consumo de álcool, cujo padrão de correlações varia de acordo com a consideração do sexo dos sujeitos, sugerindo uma leitura em termos de envolvência cultural.

Comportamentos e Atitudes sobre o Tabaco em Adolescentes Portugueses Fumadores

O objectivo principal deste projecto foi a investigação sobre as diferenças entre rapazes e raparigas que fumam. A população alvo foi constituída por adolescentes dos 14 aos 16 anos, fumadores regulares (fumem pelo menos uma vez por semana). Este artigo foi elaborado com base análise dos dados recolhidos num estudo qualitativo através de entrevistas a “grupos focais” de adolescentes fumadores (Matos & Gaspar,2002, in Hublet et al., 2002; Matos, Gaspar, Vitória, & Clemente 2003) procurando clarificar a questão do tabagismo na adolescência, nomeadamente nas raparigas. Nos grupos de discussão com os adolescentes, as categorias mais frequentes foram, respectivamente, “percepções”, “estilo de vida e consumo de tabaco”, “dependência”, “regras e normas”, “comportamento”, “deixar de consumir”, “vantagens” e “desvantagens”. O presente estudo sublinha a importância da utilização de metodologias qualitativas para clarificar conclusões oriundas de estudos quantitativos, e confirma que os jovens têm alguma noção das diferenças entre rapazes e raparigas na frequência do comportamento, nos padrões de consumo e no modo como actua a pressão social. São discutidas implicações para intervenções preventivas.

Consumo de substâncias na adolescência: um modelo explicativo

A adolescência é geralmente considerada como um período de saúde, dada a menor vulnerabilidade dos jovens à doença. No entanto, a adolescência é também um período crítico na cronologia da saúde. Muitas das escolhas com impacto na saúde, e que perduram por longo tempo, são feitas neste período de vida. Dentro destas escolhas encontra-se, por exemplo, o consumo de substâncias que está frequentemente associado a vários sintomas de mal-estar, quer no presente, quer no futuro. Com o objectivo de conhecer os factores aliados ao consumo de substâncias desenvolveu-se um modelo explicativo deste tipo de comportamento. Os dados utilizados na análise deste modelo fazem parte do estudo da Organização Mundial de Saúde, integrado na Rede Europeia “Health Behaviours in School-aged Children (HBSC/OMS)”, realizado em Portugal Continental pela equipa do Projecto Aventura Social da Faculdade de Motricidade Humana (n=12881). Os resultados mostraram que o consumo de substâncias é determinado por vários factores, sendo que os factores de ordem social parecem ser mediados por factores de ordem pessoal.

Avaliação de hábitos tabágicos em alunos do ensino secundário