Levantamento da Unicamp consultou 958 estudantes; com base nos dados, instituição vai estabelecer política contra má-conduta nos trabalhos acadêmicos

Pesquisa inédita realizada com alunos de graduação e pós-graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que 87% deles chegaram à universidade sem ter noção exata do que é plágio e sem saber ao certo o que configura uma citação ou uma cópia de conteúdo em um trabalho acadêmico. Os resultados do levantamento serão apresentados nesta segunda-feira (29) à tarde.

O levantamento, “Estudo para o desenvolvimento de uma política de integridade acadêmica para a Unicamp”, foi realizado em agosto e setembro deste ano, por meio de um questionário online, seguido de entrevistas com amostras de estudantes. Ao todo, 958 estudantes de graduação (35%) e de pós-graduação (65%), de todas as áreas do conhecimento, responderam todas as questões. O trabalho foi realizado pela consultoria acadêmica Data 14, em parceria com a empresa de software educacional Turnitin.

A pesquisa mostrou, por exemplo, que a maioria dos alunos (98,4%) considera que copiar trechos de trabalhos é algo grave ou gravíssimo. No entanto, apenas uma minoria (4,5%) acredita que o plágio seja sempre intencional. Além disso, o levantamento aponta que 36,7% dos alunos admitem já ter copiado trechos de textos sem fazer a devida citação. E oito em cada dez alunos ouvidos afirmam que ações educativas podem prevenir que alunos cometam plágio.

Preocupação com imagem

A preocupação com a ocorrência de plágio em trabalhos acadêmicos é universal, especialmente nos tempos atuais em que o acesso à informação é muito mais fácil. De acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 46% dos casos de retratações dos artigos científicos brasileiros foram causados por cópias de conteúdo, o que significa que quase metade dos trabalhos que chegam a ser identificados com alguma forma de má-conduta no Brasil copiaram trechos de outros textos publicados anteriormente. A pesquisa foi conduzida pela professora Sonia Vasconcellos e publicada na revista Science and Engineering Ethics, em 2016.

A própria Unicamp já foi vítima de má-conduta acadêmica envolvendo casos de plágio pelo menos duas vezes: uma delas terminou em suspensão do docente e a outra em demissão. No primeiro caso, em fevereiro de 2011, a instituição decidiu demitir um professor de dedicação exclusiva, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, com mais de quinze anos de carreira, após investigar denúncias e entender que ele liderou pesquisas que plagiaram trabalhos de outros pesquisadores.

No outro caso, que terminou em outubro do mesmo ano, a Unicamp decidiu punir com 45 dias de suspensão um professor de química que foi acusado de fraudar onze artigos científicos sem citar os devidos créditos. “Essas ações maculam a imagem da universidade e precisamos trabalhar ações educativas para evitar que isso aconteça”, afirmou o pró-reitor de Pesquisa da Unicamp, Munir Skaf.

Segundo Skaf, a Unicamp sozinha é responsável pela publicação de cerca de 4.000 artigos científicos por ano – daí a preocupação da reitoria de evitar que eles sejam questionados por supostos plágios. “Quando surge uma denúncia ou constatação de má-conduta, o dano à universidade é muito grande. Por isso é preciso que a gente estabeleça políticas bem específicas para acatar essas denúncias e mecanismos para apurá-las”, explica.

Com os resultados da pesquisa, a Unicamp pretende reunir os dados e elaborar uma política de integridade acadêmica, com normas e regras a serem seguidas para evitar casos de má-conduta e, consequentemente, de fraudes. Também serão estabelecidas as punições, caso a má-conduta aconteça – algo inédito nas universidades brasileiras e seguindo o exemplo do que já acontece nas melhores universidades do mundo.

Na Caltech (EUA), por exemplo, estudantes e pós-doutorandos recebem treinamento especializado em ética na pesquisa e responsabilidade como parte de sua formação. Mesma coisa acontece em Harvard (EUA), onde os alunos também precisam incluir uma declaração de honra em provas e trabalhos acadêmicos. O documento da Unicamp deve ser finalizado em 2019.

Segundo o pró-reitor, o principal objetivo do levantamento foi identificar e compreender qual a verdadeira percepção e noção dos alunos sobre plágio. “A maioria dos alunos chega ao nível superior sem saber o que é plágio porque isso nunca foi falado no ensino médio. Mas, mesmo que a produção de textos originais seja pequena no ensino médio, esse é um assunto que precisa ser discutido”, avalia.

Software espião

Desde dezembro de 2016 a Unicamp usa um software desenvolvido pela multinacional Turnitin para identificar possíveis casos de plágio nos trabalhos acadêmicos. Segundo Mariana Rutigliano, gerente de marketing internacional da empresa, ao submeter um texto à plataforma, o sistema “vasculha” 62 bilhões de páginas para apontar os conteúdos irregulares.

Ao inserir o texto no banco de dados, o sistema consegue comparar e identificar trechos de similaridade, apontando a origem primária da fonte e o grau de similaridade. A busca é feita da língua inglesa para qualquer outro idioma, já que a maior parte dos trabalhos científicos são escritos em inglês.

Os trechos tidos como “suspeitos” são devolvidos grifados em cores diferentes e tanto o aluno quanto o professor conseguem saber a origem. Cada cor indica um possível erro. “Ficamos muito surpresos com a quantidade de alunos que não sabe o que é plágio e que não acham errado copiar trechos de trabalhos autorais. Precisamos solucionar esse problema”, diz Rutigliano.

O objetivo do uso do sistema, reforça o pró-reitor, é identificar as falhas e trabalhar para corrigi-las. “Não temos a intenção de punir o aluno. Essa é uma ferramenta educacional importante para ajudar o professor a orientar o aluno. Estamos trabalhando para que toda a comunidade acadêmica submeta seus trabalhos ao software”, afirmou Skaf.

O Instituto de Física da Unicamp é um dos que submete os trabalhos dos alunos à plataforma antiplágio como rotina em cinco disciplinas, onde a avaliação dos alunos é feita por meio de relatórios realizados em casa e não por meio de provas em sala de aula.

“Os principais casos de plágio que tivemos acesso são cópias de pequenos trechos sem a devida citação. O aluno não vê problema nisso. Na minha experiência pessoal, cerca de 40% dos trabalhos avaliados tinham alguma irregularidade nesse sentido”, diz o professor Rickson Coelho Mesquita. “Depois do uso da plataforma já vemos uma evolução e uma queda no número de casos.”

Recente

No Brasil, o assunto plágio e políticas para evitá-lo ainda são recentes. A movimentação pela integridade acadêmica teve um pontapé importante depois que a Fapesp anunciou um Código de Boas Práticas Científicas, em 2011, lançado após uma série de denúncias de má-conduta em universidades paulistas. No ano passado, a agência anunciou que passaria a indeferir projetos de melhoria na infraestrutura de instituições que não criarem um escritório voltado ao estímulo da integridade acadêmica.

Segundo Rutigliano, na Inglaterra, 90% das universidades usam o sistema da Turnitin. Nos EUA, 70% das instituições de ensino superior também aderiram ao software. No Brasil, por enquanto, apenas 33 universidades e algumas escolas internacionais usam a plataforma antiplágio da Turnitin. Segundo a empresa, até 20 de outubro deste ano, 206.455 mil trabalhos acadêmicos foram submetidos ao software no Brasil – desses, 5.267 foram produzidos na Unicamp.

“O Brasil ainda está muito atrasado em relação a outros países, essa era uma discussão quase inexistente nas universidades. Essa pesquisa agora servirá de base para ações importantes antiplágio e para a criação de ferramentas de ensino”, finaliza o professor Mesquita.

 

Fonte: https://veja.abril.com.br/educacao/pesquisa-87-dos-alunos-chegam-a-universidade-sem-saber-o-que-e-plagio/?fbclid=IwAR0iGhI6VSJGOHOFa5wERa7LZH6y7jSvF-HtNkclVrabVo7CSR4O7ZD55ls

Sorbonne alerta para nova “diáspora no limiar da precariedade”

A Universidade Sorbonne, em Paris, acolheu hoje um seminário que expõe “uma nova diáspora no limiar da precariedade, em condições péssimas”, disse à Lusa Isabelle de Oliveira, diretora da Faculdade de Línguas Estrangeiras Aplicadas da Sorbonne.

http://www.noticiasaominuto.com/pais/239000/sorbonne-alerta-para-nova-diaspora-no-limiar-da-precariedade

“Praticamente todas as semanas recebo doutorandos ou doutorados que vêm bater à porta do meu gabinete para pedir ajuda. Este é o novo rosto da emigração portuguesa. Na emigração dos anos 60 e 70 ainda havia um espírito de solidariedade. Neste momento, essa solidariedade acaba um bocadinho por se atenuar”, acrescentou Isabelle de Oliveira.

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No discurso inaugural do seminário “Migrações. Que Perspetivas?”, a professora da Sorbonne sublinhou que “em todas as análises dos tempos que correm duas palavras são constantes: mudança e crise”, destacando que a nova emigração portuguesa em França está “muito distante dos clichés do passado”.

Por sua vez, Manuela Aguiar, Presidente da Associação Mulher Migrante e antiga Secretária de Estado da Emigração, sublinhou que Portugal voltou a ser “um imenso país da emigração” e lamentou que “aquilo que o país ainda não nos deu é o direito de poder não emigrar”.

Sobre a fuga de cérebros, o deputado socialista Paulo Pisco disse à Lusa que se trata de “um mau sintoma, porque houve um esforço muito grande por parte da sociedade para qualificar os portugueses para desenvolver o país e limitar os fluxos migratórios”, que qualificou como um dos “dramas nacionais” de Portugal.

Porém, Carlos Gonçalves, deputado do PSD, salientou, à Lusa, que “não convém esconder com uma árvore a floresta porque o grosso do contingente de portugueses que emigram para o estrangeiro tem uma situação contrária”, especificando que “não têm competências profissionais para serem competitivos no mercado de trabalho em que se instalam”.

“Portugal viveu uma crise económica e o país viveu uma situação muito complicada, particularmente, no emprego jovem. Sendo um país que hoje forma mais pessoas do que no passado, é evidente que o número de pessoas a entrar no mercado de trabalho com formação académica é superior”, lembrou Carlos Gonçalves, convidado para intervir no debate sobre Cidadania Europeia e Identidade nacional no seio da UE.

O socialista Paulo Pisco também participou neste tema, alertando que “nas últimas eleições para o Parlamento Europeu houve um ganho de influência da extrema-direita que não é apenas contra a emigração exterior à União Europeia mas contra a própria emigração europeia”.

O seminário, organizado em parceria com a associação portuguesa Mulher Migrante, enquadra-se num ciclo de colóquios sobre a temática “O 25 de abril e a liberdade de emigrar”, iniciada em abril no Palácio das Necessidades, em Lisboa, e que já passou pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, pela Universidade Aberta, em Lisboa, devendo continuar até outubro em instituições portuguesas e estrangeiras.

Outros temas em debate foram “Emigração e os Direitos Sociais em Tempos de Crise, “A Nova Emigração Portuguesa” e “Mulheres Migrantes – as novas tendências migratórias”.

O colóquio acontece uma semana depois de o Instituto Nacional de Estatística ter revelado que Portugal perdeu quase 60 mil habitantes em 2013 por causa do aumento do número de portugueses a emigrar e da redução de nascimentos.

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