Dez razões para não desesperar com as aulas online

Os professores estão a adotar práticas inovadoras como nunca antes tinha acontecido. Uma das consequências do ensino online ou híbrido, a decorrer desde Março de 2020, é o enorme salto qualitativo no que à inovação digital diz respeito.

1. As competências digitais são uma enorme mais valia

As crianças e os jovens estarão a treinar e aprender novas competências digitais. Que são fundamentais, não só para se prepararem para um emprego, no futuro, mas para exercer a própria cidadania. Se pensarmos, por exemplo, nos serviços do estado e na forma como nos relacionamos com a informação, e experiência digital é cada vez mais omnipresente. Quanto às profissões, as competências digitais são uma enorme mais valia. O aumento ao nível da literacia digital é, por isso, um aspeto chave na educação dos mais novos. E não tem a ver somente com o domínio de novas ferramentas digitais, passa também por tópicos como identidade digital, privacidade e segurança online, direitos de autor ou desinformação.

2. Os professores estão a adotar práticas inovadoras como nunca antes tinha acontecido

Uma das consequências do ensino online ou híbrido, a decorrer desde Março de 2020, é o enorme salto qualitativo no que à inovação digital diz respeito. Alguns investigadores receiam que os modelos pedagógicos adotados não sejam os melhores e, por isso mesmo, possam trazer algum “trauma” em relação à experiência de ensinar e aprender online. No entanto, a pandemia mostrou aos educadores a necessidade de utilizar as ferramentas de que alguns nunca tinham (querido) ouvido falar. De repente, há professores que nunca antes tinham feito um vídeo a gravar e disponibilizar segmentos de aulas aos seus alunos, ou até em canais abertos.

3. O digital traz novas mais valias para a aprendizagem

A implementação das tecnologias educativas pode ser até mais facilmente aplicada no ensino à distância. Os alunos estarão nos seus dispositivos digitais (caso tenham essa possibilidade), por isso com possibilidade de interagir com as atividades e ferramentas. Isso permite atividades colaborativas em tempo real que não é possível sem recurso a dispositivos digitais. Para além disso, vários modelos de ensino à distância sugerem a criação de oportunidades de aprendizagem para além das sessões síncronas (ao vivo), promovendo a autonomia do aluno.

4. Perspetivar o telemóvel como ferramenta de trabalho

O acesso, a computadores e banda larga, é um enorme entrave, como se tem visto no debate público. Não só para alunos, mas também para os próprios professores. O uso do telemóvel pode ser uma solução de recurso. Parece um detalhe sem importância, mas contribuir para que as crianças e jovens olhem para o telemóvel também como uma ferramenta de aprendizagem, e trabalho, será um ganho importante.

5. Repensar a forma como aprendemos

Não é recente, a ideia de que a escola tem de se abrir e que a aprendizagem acontece fora das quatro paredes da sala de aula. Pois bem, a educação à distância desafia um conceito de aprendizagem já desajustado, em que o processo de aprender acontece num determinado tempo e lugar em que todos estão fisicamente presentes. No mundo real, a necessidade de aprender ao longo da vida não é apenas uma expressão. É mesmo uma necessidade. E aprendemos com colegas, com vídeos, com livros, etc.

6. Alunos que eram “fracos” ou “medianos”, passaram a estar mais ativos

Alguns alunos preferem aprender online. Pode parecer surpreendente, mas relatos de professores dão conta de alunos a demonstrar mais empenho quando as atividades letivas passaram a ser completamente online. De repente, alunos que eram “fracos” ou “medianos”, passaram a estar mais ativos porque se dão melhor nos ambientes digitais. Não será o caso da maioria – havemos de ter mais estudos sobre este fenómeno – mas, ainda assim, é importante reconhecer que temos crianças a chegar ao sistema de ensino com vontade de ter acesso a uma educação que valorize mais o digital.

7. Os pais podem acompanhar aquilo que os seus filhos estão a aprender

Não é a situação ideal, de forma alguma. A pressão a que as famílias estão sujeitas é colossal. Ainda assim, os pais poderão ver o que os seus filhos fazem nas aulas e tentar auxiliar. E ter uma ideia de como é ser aluno nestes tempos. Não se trata de vigiar o trabalho dos professores, mas antes de poder fazer parte do percurso educativo das suas crianças.

8. Os meios digitais são fundamentais para promover colaboração

O ensino online não substitui o convívio, contudo os meios digitais podem ajudar na socialização. Claro que depende das idades, mas os telemóveis ou até os jogos jogados em comunidade ajudam no contacto para além das atividades letivas. Os especialistas sugerem moderação no tempo passado com os ecrãs, mas em tempos de confinamento os pais poderão ser um pouco mais tolerantes. Porque também eles precisam de tempo para fazer com que as rotinas da casa continuem a funcionar.

9. É importante confiar que aprender à distância é um modelo testado

Há um esforço coletivo para que o ensino à distância funcione. É perceptível um genuíno esforço por parte de tanta gente envolvida neste processo. Não só de professores, mas de muitas outras entidades diretamente envolvidas. Centros de formação, bibliotecas, editoras, meios de comunicação, só para mencionar alguns. As comunidades informais que se formaram, nas redes sociais e fora delas, ajudam a resolver questões que os professores levantam. Excelentes serviços de conteúdos digitais auxiliam as atividades pedagógicas. Por outro lado, é importante confiar que aprender à distância é um modelo testado, por exemplo já muito utilizado no ensino superior, como é o caso da Universidade Aberta.

10. Voltaremos ao ensino como tem funcionado até agora?

Pode soar ofensivo para quem está a sofrer mais diretamente com o impacto da pandemia, mas ajudará se refletirmos nos ganhos que estes tempos tão difíceis podem trazer. O aumento da capacitação digital de alunos, professores, bibliotecários e das famílias é um aspeto relevante, como já referi. A comunidade educativa de há uma ano era menos inovadora do que é hoje em dia. Se pensarmos que fenómenos como realidade aumentada ou inteligência artificial estão cada vez mais presentes nas nossas vidas, talvez a escola que os nossos alunos querem ou precisam será necessariamente diferente. Por isso, fica o desafio de pensar como aprendemos hoje, como é a experiência de aprender online, e sobre como iremos aprender no futuro.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

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